Isso e como sexta-feira depois de uma cansativa viagem. Voltar pra casa. Deitar em meu sofa sob a janela, enrolada em minha manta com desenho das ervilhas de Mendel e as almofadas, metade ganhas de presente e a outra metade confeccionadas pela minha pouca criatividade. Quase noite de um dia frio de primavera, o cheiro forte de mato e flores e o silêncio por vezes incomodo das cidades interioranas. Ha apenas a musica do pequeno movimento de fim de tarde nas ruas e da chuva calma que bate na janela por tras do tecido branco da cortina enfeitada com voal colorido, contas, origamis e luzinhas pendurados. Os pingos de chuva disputam corrida no vidro, brincando de deformar as luzes da cidade la de fora. Na penumbra do meu quarto vejo a silhueta do meu piano e de meus livros, e mesmo no escuro seria capaz ate mesmo de encontrar o desejado. Escutar o som da minha familia nos outros comodos. Minha mãe enfeiticando a casa com o cheiro bom de temperos, batendo as louças na cozinha la em baixo. Meu irmão dedilhando a guitarra na sacada dos fundos. Meu pai virando as páginas do jornal enquanto degusta uma taça de Capitel dei Nicalo, 2008, antes do jantar. Nunca sei onde Klaus e Violet, meus gatos, estão. Virar no meio das cobertas buscando maior conforto e sintir ser novamente envolvida pelos braços dele. Seu peito buscando aconchego no meu corpo quente. Os cachos e a barba por fazer roçam minha face provavelmente corada e certamente sorridente. ‘’Queria ficar assim para sempre ‘’.
Isso: meu espacinho para expressar meus sentimentos simplórios sem ser incomodada.